quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

VIRTUDE OU VENENO

REFLEXÃO: Virtude ou veneno por Rodolfo Garcia Montosa
Publicado em 15.12.2009

“Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda Satanás!”
Mateus 16.23

Minutos atrás desta grande repreensão, o apóstolo Pedro havia sido publicamente elogiado por sua espantosa declaração: “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo” (v.16). De repente, o discernimento perde lugar para a estultice. O bom comunicador é requisitado a se calar. O sabedor revela ignorância. A boa iniciativa perde lugar para a precipitação. O amigo torna-se inimigo. Mas o que aconteceu?

Pessoas fracassam em sua carreira por fenômenos comportamentais. As falhas na caminhada decorrem de quem realmente as pessoas são e como agem em certas ocasiões. É curioso notar que a mesma virtude adotada em certo ambiente, torna-se defeito quando ultrapassa certos limites.

O remédio torna-se veneno quando aplicado em dosagem excessiva. Qualquer qualidade de personalidade pode ser a própria pedra de tropeço, e o risco é proporcional à amplitude do talento.

Assim é que o autoconfiante torna-se arrogante quando pensa que está sempre certo e os demais sempre errados. O carismático torna-se melodramático quando precisa ser o centro das atenções. O extrovertido torna-se temperamental quando as vulnerabilidades de sua alma dominam suas palavras. O discreto torna-se retraído quando se fecha para as difíceis interações relacionais. O racional torna-se cético quando “acredita” somente na objetividade de dados e fatos.

O perspicaz torna-se ardiloso quando invade os limites de normas e leis. O criativo torna-se excêntrico na busca insaciável de ser diferente. O crítico torna-se resistente quando contrariado em sua opinião. O detalhista torna-se perfeccionista quando se concentra demasiadamente no micro perdendo a visão do macro. O político torna-se bajulador quando teme perder sua popularidade.

Como evitar que nossa melhor virtude não se torne um veneno na caminhada? É fundamental a criação de um ambiente de discernimento e expressão quando se ultrapassa o limite. O melhor tempero é quando se equilibra firmeza com ternura, franqueza com brandura, transparência com respeito, verdade com afeto.

É necessário amigos maduros na caminhada, do tipo que Jesus foi para Pedro ao alertá-lo duramente que estava passando dos limites. Foi assertivo como expressão de amor. E Pedro sabia disso, por isso não ficou melindrado.

Pergunte sempre se sua virtude está virando veneno, se seus atributos tornaram-se defeitos. Perceba o que estão dizendo aqueles que estão interagindo com você, mesmo quando não utilizam palavras.

Aprenda o momento de acelerar, frear, ou dar um passo para trás seguindo a ordem “arreda Satanás”.

Reprodução autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e a fonte como: www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

Virtude ou veneno por Rodolfo Garcia Montosa

“Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda Satanás!”
Mateus 16.23

Minutos atrás desta grande repreensão, o apóstolo Pedro havia sido publicamente elogiado por sua espantosa declaração: “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo” (v.16). De repente, o discernimento perde lugar para a estultice. O bom comunicador é requisitado a se calar. O sabedor revela ignorância. A boa iniciativa perde lugar para a precipitação. O amigo torna-se inimigo. Mas o que aconteceu?

Pessoas fracassam em sua carreira por fenômenos comportamentais. As falhas na caminhada decorrem de quem realmente as pessoas são e como agem em certas ocasiões. É curioso notar que a mesma virtude adotada em certo ambiente, torna-se defeito quando ultrapassa certos limites.

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Assim é que o autoconfiante torna-se arrogante quando pensa que está sempre certo e os demais sempre errados. O carismático torna-se melodramático quando precisa ser o centro das atenções. O extrovertido torna-se temperamental quando as vulnerabilidades de sua alma dominam suas palavras. O discreto torna-se retraído quando se fecha para as difíceis interações relacionais. O racional torna-se cético quando “acredita” somente na objetividade de dados e fatos.

O perspicaz torna-se ardiloso quando invade os limites de normas e leis. O criativo torna-se excêntrico na busca insaciável de ser diferente. O crítico torna-se resistente quando contrariado em sua opinião. O detalhista torna-se perfeccionista quando se concentra demasiadamente no micro perdendo a visão do macro. O político torna-se bajulador quando teme perder sua popularidade.

Como evitar que nossa melhor virtude não se torne um veneno na caminhada? É fundamental a criação de um ambiente de discernimento e expressão quando se ultrapassa o limite. O melhor tempero é quando se equilibra firmeza com ternura, franqueza com brandura, transparência com respeito, verdade com afeto.

É necessário amigos maduros na caminhada, do tipo que Jesus foi para Pedro ao alertá-lo duramente que estava passando dos limites. Foi assertivo como expressão de amor. E Pedro sabia disso, por isso não ficou melindrado.

Pergunte sempre se sua virtude está virando veneno, se seus atributos tornaram-se defeitos. Perceba o que estão dizendo aqueles que estão interagindo com você, mesmo quando não utilizam palavras.

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

ECONOMIA SUIÇA É A MAIS COMPETITIVA DO MUNDO

Na classificação 2009-2010 do Fórum Econômico Mundial (WEF), a Suíça aparece como a economia mais competitiva do planeta.

Cingapura aparece em 3° lugar. Portugal mantém o 43° lugar e o Brasil é 56°. Na América Latina, o Chile continua liderando (30°).

Apesar da crise econômica, a economia suíça conserva uma excelente capacidade de inovação tecnológica e se caracteriza por sua cultura comercial। A Suíça também deve seu primeiro lugar por seus institutos de pesquisa científica e por estreita colaboração entre as universidades e a economia.

Destaques

Suas instituições públicas estão entre as melhores do mundo e existe uma grande independência do poder judiciário. A infraestrutura é considerada excelente. Os mercados financeiros se enfraqueceram um pouco, refletindo especialmente as dificuldades do setor bancário.

Esses são alguns dos critérios avaliados pelo WEF em que a Suíça se destaca.

Crise nos Estados Unidos

Os Estados Unidos perderam o primeiro lugar na classificação devido à crise no seu sistema financeiro e à deterioração da situação fiscal.

Cingapura subiu dois pontos na classificação e este ano aparece em 3° lugar। Segundo o WEF, a confiança nas instituições foi reforçada e o país também se destaca pela eficácia de seu mercado de bens e mercado de trabalho.

A Suécia mantém-se no 4° lugar em competitividade e a Dinamarca perde dois pontos। A Finlândia está em 6°, à frente da Alemanha (estável) e do Japão (que ganha um ponto)। Seguem-se Canadá (9°) e Holanda (10°).

Portugal mantém-se Entre outros países europeus, a Grã-Bretanha perde um ponto (13°) devido as dificuldades de sua praça financeira. A França se mantém (16°) e a Espanha, muito atingida pela crise, perde quatro pontos (33°). Portugal também mantém sua posição (43°) e a Itália ganha um ponto (48°).

Na América Latina, o Chile mantém sua liderança competitiva (30°) e o Brasil aparece em 56° lugar, ganhando oito posições। O relatório do WEF analisou as economias de 133 países। Os dados foram coletados entre janeiro e junho deste ano.

OS DEZ MAIS COMPETITIVOS

1° Suíça
2° Estados Unidos
3° Cingapura
4° Suécia
5° Dinamarca
6° Finlândia
7° Alemanha
8° Japão
9° Canadá
10° Holanda

Fonte: relatório WEF 2009

Maiores Informações: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch com agências

DIRETOR DE BANCO PRESIDE GRUPO DE ESTUDOS EVANGÉLICOS



Christian Rüegger é diretor executivo do UBS em Zurique e um homem religioso: ele preside a associação dos evangelistas do UBS em Zurique.

O suíço ressalta que a fé não tem nenhuma influência no seu trabalho.

O sol bate contra o prédio da administração do UBS em Oerlikon, de nobre e discreta tonalidade cinza. Um funcionário da recepção, trajando um terno fino e bem cortado, leva o visitante a uma sala com ar condicionado e lhe oferece água.

O diretor executivo no UBS de Zurique, Christian Rüegger, aparece com seu blazer preto e camiseta cinza sem gravata. Ele não dará nem informações sobre o banco e a atual crise, já informa de antemão. Assim já são descartadas as questões sobre bonificações, salário dos executivos, processos na justiça e outras semelhantes desde o início. O tema da conversa é claramente dominado pela ética de banqueiros cristãos.

"Não penso que o fato de ser evangelista influencie as decisões que tomo no banco. Eu decido segundo fundamentos empresariais. Em primeiro lugar oriento-me segundo os interesses do banco. Meus critérios são de natureza econômica e não sociais ou humanas", explica Christian Rüegger.

As linhas diretrizes do seu trabalho não são concretamente a Bíblia, mas as do banco. "Assumo-me como cristão, mas escolhi o banco como atividade profissional". Ser cristão significa para Rüegger ter um relacionamento pessoal com Deus. Isso não traz automaticamente uma implicação social.

"Seria o falso lugar"

O trabalho diário do funcionário de 59 anos não tem nada a ver com os negócios internacionais do UBS. Como diretor executivo em Zurique, ele toma "decisões relacionadas a empresas ou pessoas privadas com dificuldades para sobreviver financeiramente. Devido a escolha de produtos deficientes ou erros na condução dos negócios da empresa, eles estão passando dificuldades e vêm para buscar injeção de novo capital". A crise financeira agravou ainda mais a situação, mas este tipo de empresa sempre existiu

Ele não tem nenhum problema em trabalhar para um banco sendo evangelista. "Dinheiro para mim é um instrumento de trabalho como a madeira o é para marceneiros, e não mais do que isso. Para mim a caça aos lucros e muito dinheiro não estão em primeiro plano."

Ter lucros é para uma empresa algo de normal e também positivo. "Se trabalhasse para um banco que estivesse atuando em meu setor de uma forma não ética, então estaria no lugar errado."

Christian Rüegger trabalha há quase trinta anos para o UBS em Zurique. "Há trinta anos também sou um evangelista. Não tenho mais nenhum problema em assumir que acredito em Jesus Cristo."

Estudos bíblicos

Rüegger foi um dos fundadores da associação de evangelistas do UBS em 1993. Nessa "associação cristã do UBS" reúnem-se os funcionários convertidos do UBS. Ela organiza cultos religiosos e também grupos de estudos bíblicos.

A reunião dos evangelistas ocorre a cada dia da semana, com exceção de sábado e domingo, dentro do UBS na região de Zurique. O próprio Rüegger lê a bíblia para seus companheiros de fé no "grupo bíblico da quinta-feira."

"Como vejo, o número de membro dos nossos grupos bíblicos não cresceu devido a crise financeira", ressalta o banqueiro. Ao contrário, "através das demissões na empresa, o número de membros chegou a diminuir em alguns grupos."

A motivação de ler em conjunto a Bíblia com colegas de trabalho e não apenas nas igrejas é o sentimento de estar em grupo. "Viver a coletividade é muito importante para cristãos. Crentes como nós procuram o espírito de grupo e a troca de idéias com outros. Isso dá a eles força para saber que o outro é como eu, da mesma fé, estão no mesmo caminho."

Os grupos bíblicos do banco são abertos a todos os interessados, porém os que participam são "em primeiro lugar cristãos que acreditam em Jesus Cristo incondicionalmente e levam a sua vida como evangelistas a sério, orientando-se pelos preceitos bíblicos. Em parte são membros das igrejas normais ou de igrejas independentes como a Comunidade Livre Evangélica, a Chrischona ou as comunidades missionárias", diz, ressaltando que, em grande maioria, os membros vêm das igrejas livres, pois costumam ser mais engajados do que as pessoas das igrejas tradicionais.

Definições

Questionado se a orientação do seu grupo bíblico é evangélico, Rüegger responde: "Eu não gostaria de utilizar a palavra evangélica, pois ela tem uma conotação negativa. Em termos somos, de fato, evangélicos. Mas o engajamento das pessoas pela palavra de Deus e o Evangelho é o que nos qualifica. Este engajamento não significa ser fundamentalista. No fundo não vejo essa posição como falsa". A opinião popular se tornou negativa em relação às expressões "fundamentalista" e "evangelista".

O banqueiro e pai de família prefere não comentar mais nada sobre a visão concreta de mundo dos evangelistas do UBS. Ela só será dada no momento em que o microfone for desligado.

Algumas passagens ditas por ele em um artigo recentemente publicado foram mal interpretadas dentro do banco. Ele também não revela mais concretamente para quem rezam. "Pedimos simplesmente a Deus para que ele dê uma liderança sábia ao UBS."

"Deus ama banqueiros"

Rüegger representa os evangelistas do UBS na associação dos grupos bíblicos de bancos, do qual ele também é o diretor. Ela reúne outros grupos de preces e estudos bíblicos dos vários bancos e serve como ponto de contato. "A cada ano nosso grupo convida um orador proeminente", revela.

"São personalidades do mundo empresarial ou da política e que contam, de forma franca, prática e autêntica, como a sua fé é vivida no seu cotidiano", escreve o site do grupo. Em 2009, o orador agendado é Kurt Bühlmann, chefe do setor de administração de fortunas do UBS para as Américas. Seu tema: "Deus também ama os banqueiros."

CHRISTIAN RÜEGGER
O diretor executivo de 59 anos no UBS de Zurique fez sua carreira no setor, onde entrou após fazer uma formação profissional de funcionário de banco. Depois seguiu vários cursos executivos. Ele é casado e tem cinco filhos já crescidos.

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EVANGELISMO
É uma concepção originária de "evangélico"; o Evangelismo é um movimento teológico originário do Protestantismo, mas que não se limita a ele, que crê na necessidade de o indivíduo passar por uma experiência de conversão ("nascer de novo", "aceitar Jesus") e que adota a Bíblia como única base de fé e prática. (Wikipédia em português)

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SITES RELATIVOS

Grupos Bíblicos de Banqueiros (alemão)

Associação Evangélica de Funcionários do UBS (alemão)

Evangelismo - Wikipédia em português

FONTE: Eveline Kobler, swissinfo.ch, maiores informações CLIQUE AQUI.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

CALVINISMO, CONFORME A REVISTA TIME, É A IDEIA QUE ESTÁ MUDANDO O MUNDO


A revista Time apontou o novo Calvinismo em terceiro lugar, na sua matéria de capa sobre as 10 Idéias transformando o mundo na atualidade(...).

Maiores informações, clique AQUI.

sábado, 2 de maio de 2009

UNIVERSITY OF PITTSBURGH PRESENTS: MANAGEMENT AND LEADERSHIP PROGRAM FOR MACKENZIE UNIVERSITY

The Millennium Panther, a symbol of Pitt pride, outside of the William Pitt Student Union. A time capsule to be opened in 2051 is buried beneath. This is a momentous time in Brazil’s history. Brazil is recognized as one of the world’s most powerful countries and with the rapid expansion of its economy, there are many great opportunities for Brazilians to play a fundamental role in the country’s growth and prosperity.

As Brazil prospers, you too can prosper by equipping yourself to differentiate from your fellow classmates by combining your engineering, business or international commerce degree with an international business education experience. Mackenzie Presbyterian University’s engineering, international business, and business students can significantly enhance their college experience both academically and culturally by participating in the Management and Leadership Program (MLP) for Mackenzie University held at the University of Pittsburgh located in Pittsburgh, PA, USA.

For the past 10 years, the University of Pittsburgh’s Joseph M. Katz Graduate School of Business has offered executive education opportunities to Brazilians through its Executive MBA (EMBA) program. There are more than 200 Brazilian executives who have graduated from the EMBA program and understand the value of a business education offered through the University of Pittsburgh and the Katz School. As a participant in the MLP you will have the opportunity to network with
these individuals.

This program affords Mackenzie students the opportunity to engage in a unique, credit-worthy learning experience and to develop themselves as global citizens. The program provides students with a chance to directly explore a foreign language, history, and people of another land while gaining a competitive edge in the employment market. You will learn about yourself and the world, have opportunities to meet and network with new people, and create memories that will last a lifetime. Building upon your business competencies, this program will differentiate you from your classmates. Many graduate schools and potential employers seek candidates with international experience because they believe such students have the skills to succeed in an ever changing global marketplace.

Program Objectives
• Present a substantive combination of real-world business theory and practice.
• Provide the tools that are needed to take on the leadership challenges of today and to capture the
opportunities of the future.
• Offer a global curriculum taught by internationally renowned faculty.

Faculty
This program is led by the outstanding members of the Pitt Business faculty who not only research current best practices in their area of expertise but also have extensive consulting experience with for profit and nonprofit organizations. As a result they provide a unique combination of knowledge and practical expertise. This blend of theory and practice explains why Katz is the preferred management development provider for many organizations.

Pittsburgh is one of the bestkept secrets in the United States. The same work ethic that once made it the cradle of American industry has created a vibrant new economy, fueled by computer science, robotics research, biotechnology, chemicals and coatings, finance, and telecommunications.

In 2007, Forbes magazine named Pittsburgh the tenth cleanest city, and in 2008 Forbes listed Pittsburgh as the thirteenth best city for young professionals to live. The city is consistently ranked high in livability surveys.

In 2007, Pittsburgh was named “America’s Most Livable City” by Places Rated Almanac. Point State Park, located at confluence of the Allegheny, Monongahela, and Ohio Rivers, is the site of the Three Rivers Regatta—our country’s largest land, air, and water festival—and the city’s Independence Day
celebration. Music, powerboat racing, fireworks displays, waterski shows, and extreme sports are all part of this three-day celebration of America’s birthday.

The University of Pittsburgh
Founded in 1787 as a small, private school, the Pittsburgh Academy was located in a log cabin near Pittsburgh’s three rivers. In the 220 years since, it has evolved into an internationally recognized center of learning and research.

Pitt ranked among only seven universities in the uppermost tier of America’s top public research universities according to “The Top American Research Universities” Annual Report (2007). U.S. News & World Report has ranked Pitt in the top 20 among elite U.S. public national universities and numerous other studies have recognized Pitt as one of the top universities in the world. Pitt regularly produces internationally recognized scholarship and fellowship award winners.

Dates and Fees

Dates: June 28 – July 8, 2009
Application Deadline: June 3, 2009
Cost: $2,600/person (minimum of 30 students required to run the program)
Fee includes faculty instruction, training room, hand-outs, breakfast, lunch, beverages, and opening and closing dinners
Payment Plans: Three installments due April 25, May 25 and June 25, 2009
or One payment due June 10, 2009

Curriculum and Schedule

Sunday - June 28, 2009
Arrive in Pittsburgh, PA
Check-in

3:00 p.m.
City and Campus Tour

5:00 p.m.
Welcome Dinner and
Introductions:
John T. Delaney, Dean

6:00 – 9:00 p.m.
International Business Center (IBC) Student
Ambassadors Panel and Learning
Community Workshop
Professor Jim Craft

Monday - June 29, 2009
8:30 a.m. – 4:00 p.m.
Strategic Planning
Development and Implementation
Professor John Camillus

Tuesday - June 30, 2009
8:30 a.m. – 4:00 p.m.
Interpreting Financial Statements
Professor Don Moser

Wednesday - July 1, 2009
Company Visit (TBA)
MSA, Kennametal Inc.,
American Eagle Outfitters
(AEO), Inc, among others

4:00 – 6:00 p.m.
MSA “Case in Action” and Dinner With certificate students from the David Berg Center for Ethics and Leadership and IBC Student Ambassadors

Thursday - July 2, 2009
8:30 a.m. – 4:00 p.m.
Cost and Performance
Measurement in Global Organizations
Professor Nandu Nagarajan

Friday - July 3, 2009
8:30 a.m. – 4:00 p.m.
Leadership and Communication
Associate Professor Audrey Murrell

Saturday - July 4, 2009
(Free Day)
United States Independence
Day Observed

Sunday - July 5, 2009
Optional Activities (Free Day)
Pittsburgh Museums
www.cmoa.org
www.warhol.org

Parks
www.pittsburghparks.org

Shopping
www.pittsburgh.about.
com/cs/shopping/a/
shopping.htm

Monday - July 6, 2009
8:30 – 11:45 a.m.
Marketing Strategy
Professor Rick Winter

1:00 – 4:15 p.m.
Business Ethics
Professor Brad Agle

Tuesday - July 7, 2009
Company Visit (TBA)
PPG Industries, Medrad, Inc., AEO, among others

Wednesday - July 8, 2009
8:30 – 11:45 a.m.
International Finance and Value Creation
Associate Professor Frederik Schlingemann

1:00 – 4:15 p.m.
Creating a Culture of Innovation
Associate Professor Rich Patton

4:30 – 5:30 p.m.
Closing Celebration and Certificates

*Note: Schedule is subject to change

Mais informações:
ACOI- Assessoria de Cooperação Interinstitucional e Internacional
Tel: 55 11 2114-8186/ 8146
Fax: 55 11 2114-8186
E-mail: acoi.alunos@mackenzie.br

http://www.mackenzie.br/portal/principal.php

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Prof. Luis Cavalcante
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terça-feira, 21 de abril de 2009

BERLIM DEDICA EXPOSIÇÃO A REFORMADOR JOÃO CALVINO

Berlim dedica exposição a reformador João Calvino

Diz-se que as ideias de Calvino, reformador da igreja no século 16, inspiraram a democracia moderna e o capitalismo. Hoje, 500 anos após seu nascimento, o Museu
Histórico Alemão lhe dedica exposição em Berlim.

Com mais de 360 documentos históricos, obras de arte e objetos litúrgicos, a atual mostra de Berlim é a maior exposição na Europa durante o Ano Calvino, que marca os 500 anos do reformador nascido em 10 de julho de 1509, na cidade francesa de Noyon.

A exposição tem como foco a pessoa de Calvino e sua influência na Europa. A mostra também trata de temas como expulsão, migração e minorias — assuntos problemáticos para o continente durante diferentes épocas. O próprio Calvino foi forçado a fugir da França para a Suíça em 1535, quando a tensão religiosa levou a levantes violentos contra protestantes.

Isso aconteceu numa época em que a Europa estava dominada por monarcas e a Igreja Católica tinha grande influência tanto na política quanto na sociedade civil. E fazia apenas duas décadas que o alemão Martinho Lutero havia pregado suas 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, defendendo a salvação através da fé e acendendo, inadvertidamente, a centelha da Reforma Protestante.

Foi nesse contexto que Calvino desenvolveu e propagou o movimento protestante que se iniciava. Mais tarde, sua doutrina teológica ficou conhecida como calvinismo.
O nascimento do Estado sem corrupção

Em entrevista à Deutsche Welle, o teólogo católico e professor aposentado Arnold Angenendt declara que “o calvinismo influenciou decididamente a forma moderna de vida”. Segundo o teólogo, Calvino é interpretado como aquele que disse que qualquer erro é sinal de que se foi abandonado por Deus.

O calvinismo é conhecido por propagar o trabalho duro, a confiabilidade e o perfeccionismo. Angenendt explica que “a ética calvinista criou o funcionário público responsável e profissional”. Para o historiador, isso significou “o nascimento do Estado europeu”.

Um funcionário público que se comporta conforme a ética calvinista não está passível de envolvimento com a corrupção. Os países ocidentais mais influenciados por Calvino têm governos menos corruptos que seus vizinhos do Leste, afirma Angenendt.
Responsabilidades individuais

As igrejas calvinistas são caracterizadas não somente pela forte consciência ética, mas também pela organização não-hierárquica, diz em entrevista à Deutsche Welle Achim Detmers, da Igreja Luterana na Alemanha. Esta igualdade “democrática”, segundo ele, não traz somente liberdade, mas também responsabilidade.

O calvinismo não prescreve um credo universal para cada situação. Em vez disso, novas situações históricas — como o surgimento do nazismo na Alemanha dos anos de 1930 ou tempos de desigualdade econômica — requerem que fiéis leiam novamente a Bíblia e façam interpretações relevantes, diz Detmers.

A redução da influência política eclesiástica e a ênfase no papel do indivíduo são todos ensinamentos do calvinismo, que têm mais em comum com a moderna democracia europeia do que com as últimas monarquias medievais.

“Calvino defendia um democracia aristocrática. Ele defendia uma separação administrativa da Igreja e do Estado, embora quisesse assegurar que a sociedade estava embasada em princípios cristãos como Os Dez Mandamentos”, explica o teólogo alemão.

Detmers comenta que particularmente em comparação com outras doutrinas, que são organizadas mais hierarquicamente e dão menor valor à participação dos fiéis, o calvinismo oferece às sociedades “modernas” um grande potencial de inovação e reflexão.

Uma solução calvinista para a crise financeira?

O clérigo luterano adverte, no entanto, que não deve ser estabelecida uma ligação muito forte entre Calvino e o desenvolvimento da democracia moderna e do capitalismo, chamando a atenção para o papel exercido por uma série de outros fatores sociológicos e históricos neste contexto.

Se os ideais calvinistas — baseados mais no medo do que na misericórdia — tiveram uma maior influência na sociedade atual, já é uma outra questão.

Na abertura da exposição em Berlim nesta semana, o premiê holandês, Jan Peter Balkenende, salientou que a forte ética de trabalho, que é parte importante da teologia calvinista, “se transformou num sistema moral”.

À luz da atual crise econômica, seria “bom se os mercados financeiros fossem mais fortemente governados por estes princípios”, afirmou Balkenende.
Bastiões da teologia reformista

Mais de 25 milhões de pessoas fazem parte da Igreja Luterana na Alemanha, de acordo com informações da própria Igreja. Desses, dois milhões pertencem às igrejas protestantes reformadas. Outros bastiões da teologia reformista na Europa são a Suíça, a Holanda, a Hungria, a Escócia e a França.

Na Alemanha, os membros das igrejas reconhecidas pelo Estado pagam uma dízimo mensal às Igrejas Católica e Protestante. No país, a Igreja Católica conta oficialmente com 25 milhões de fiéis.

A exposição Calvinismo fica aberta até 19 de julho próximo no Museu Histórico Alemão, em Berlim.























Autora: Kate Bowen
Revisão: Soraia Vilela
Fonte: Deutsche Welle
Divulgação: www.juliosevero.com


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domingo, 19 de abril de 2009

Até setembro, 54 grupos aderem à nota eletrônica

Sistema irá incluir ramos como os de indústria química e de atacadistas

Rafael Hupsel/Folha Imagem

Ícaro Damaceno, assistente administrativo-financeiro da Lenny, que diz ter esperado oito meses por login para nota eletrônica na Europa

ANDRÉ LOBATO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A NF-e (nota fiscal eletrônica) será obrigatória para 54 tipos de empreendimento a partir de setembro. Ela já é usada em 24,6 mil estabelecimentos para transações entre empresas e não altera o relacionamento com pessoas físicas.

Entre os setores de atuação que têm cerca de quatro meses para abandonar o recibo de papel estão as concessionárias de veículos novos, os atacadistas e os fabricantes associados às indústrias química, farmacêutica, de café e de produtos de origem animal.

Desde setembro de 2007 (quando voluntários começaram a usar o sistema) até março deste ano, foram emitidos mais de R$ 2 trilhões em NF-e.

"Até abril de 2008, a adesão era voluntária, e existiam cerca de 5 milhões de notas eletrônicas. Naquele mês, os segmentos de automóveis e cigarros foram os primeiros a serem obrigados", aponta Eudaldo Almeida de Jesus, coordenador-geral do Encat, entidade de administradores tributários estaduais que liderou o projeto da NF-e.
A expectativa da Receita Federal é que, até 2010, 70% de todo o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) seja declarado eletronicamente, diz.

On-line

Enquanto a nota de papel requer quatro vias, a eletrônica é um arquivo digital.
Criada no computador da empresa, ela é transmitida on-line para a Secretaria da Fazenda do Estado do emissor.

O sistema envia uma cópia da nota para o registro nacional e outra para a Secretaria da Fazenda do Estado de destino.

A única parte em papel da transação é o Danfe (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica), que acompanha a mercadoria e serve de nota fiscal se o comprador não tem o sistema eletrônico.

Reinaldo Mendes, da Easyway Brasil, que desenvolve programas para administração de tributos, afirma que o sistema é benéfico às firmas. "[Ele] reduz custos e automatiza."

Mendes ressalta, no entanto, que é preciso ter organizados os dados dos clientes e os dos produtos a serem vendidos pelo sistema digital.

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NA INTERNET - Veja o calendário de implantação da NF-e em www.nfe.fazenda.gov.br, no link "perguntas frequentes"

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/negocios/cn1904200901.htm

domingo, 15 de março de 2009

PETER DRUCKER, O OUTRO AUSTRÍACO




Peter Drucker, o outro Austríaco por Mark Skousen

Peter F. Drucker nasceu em 19 de novembro de 1909, em Viena, Áustria - faleceu em 11 de novembro de 2005, em Claremont, Califórnia, EUA, é considerado por todos o pai da Gestão moderna. Publicou 39 livros e inúmeros artigos acadêmicos sobre como os seres humanos estão organizados em todos os setores da sociedade, nas empresas, órgãos governamentais e nas organizações sem fins lucrativos.

Peter Drucker, o outro Austríaco
Peter F. Drucker entrou uma vez na diretoria de uma grande empresa em crise e sem rodeios perguntou, "Senhores, qual é o seu negócio?" A maioria dos executivos pensou que era uma pergunta superficial, mas Drucker continuou pressionando. Ele repetiu a pergunta inúmeras vezes. “Qual é o seu negócio?" Levou-lhes uma hora para descobrir o que Drucker estava querendo dizer: eles tinham perdido a visão. Quando voltaram aos fundamentos, eles encontraram seu caminho de volta à rentabilidade - tudo porque Drucker fez uma pergunta “insignificante”.

Drucker é eclético, independente e imprevisível. Embora ele seja conhecido como o Sr. Gestão, ele é um lobo solitário, trabalha sem secretário, e não tem o apoio de qualquer organização. Ele é estranho. Nas palavras de um admirador, ele é um "iconoclasta -- o destruidor de ídolos, investigador das provas, reivindicador de evidências, uma pedra no sapato, consistente e pragmático comentador dos problemas enfrentados pela nossa sociedade." (1)

Quase todos no mundo empresarial estão familiarizados com Drucker, ou por seus livros ou por suas colunas no The Wall Street Journal. Ele é um nome familiar entre os MBAs, executivos empresariais e estudantes de administração. Drucker é o consultor de negócios mais procurado do mundo. Seu vitae é múltiplo: advogado, jornalista, teórico político, economista, romancista, futurista e filósofo extraordinário. Agora em seus oitenta anos, com 25 livros publicados, ele ainda está na ativa como escritor e consultor, embora ele não viaje tanto como antes.

Os estudantes de administração e executivos me falam freqüentemente que as idéias de Drucker tem um certo traço "Austríaco". Eles dizem que a sua ênfase no empreendedorismo, inovação e investimento de capital, bem como suas denúncias contra o “grande governo”, a excessiva tributação e a economia keynesiana, estão em harmonia com as idéias de Eugen von Bohm-Bawerk, Ludwig von Mises, Friedrich August von Hayek e a Escola Austríaca de Economia.

Então: Peter Drucker é um Austríaco secreto?

Raízes vienenses

Literalmente falando, Drucker é Austríaco. Ele nasceu em 1909 em Viena, durante o apogeu da Escola Austríaca. Mas ele era muito jovem para participar do famoso seminário de Ludwig von Mises. Quando se formou no ginásio em 1927, ele foi para a Universidade de Frankfurt, onde obteve seu Doutorado em Direito no início dos anos 1930. Mas as suas raízes permaneceram vienenses. Ele recusou uma oferta de trabalho do Ministério Nazista de Informação. Em vez disso, ele escreveu uma monografia de 32 páginas sobre Friedrich Julius Stahl, filósofo alemão século XIX. Há muito para aprender tanto sobre Drucker, como sobre Stahl neste documento. Stahl era paradoxal: judeu por nascimento, protestante por conversão e conservador oposto à monarquia absoluta. Evidentemente, o documento de Drucker foi proibido pelos Nazistas. Como Mises, Hayek e outros inimigos do estado nazista, Drucker emigrou para o Ocidente antes da guerra eclodir. Ele viajou para a Inglaterra em 1933 e para os Estados Unidos em 1937.

O Administrador dos administradores

Evidentemente, a pergunta se Drucker é um Austríaco não é uma questão sobre a sua terra natal. É uma pergunta sobre a sua teoria econômica. Se a pessoa limitar a questão a sua abordagem da administração, a resposta é claramente afirmativa: o estilo da administração de Drucker é completamente Austríaca. Tempo, expectativas, novas informações e potenciais mudanças nos processos de produção -- todos os focos Austríacos -- são constantemente enfatizados em suas obras e consultas. O gerente deve ser um empresário e não apenas um administrador. Inovação é essencial. Em 1985, ele escreveu um livro inteiro sobre o tema Inovação e Empreendedorismo.

Ele critica a administração por se ocupar no planejamento de curto prazo, o que ele rotula de "keynesianismo industrial". Planejamento de longo prazo é mais arriscado, diz Drucker, mas é essencial para a sobrevivência, principalmente para grandes corporações. Os proprietários e os gerentes devem ser orientados para o futuro, ele sublinha. “A visão do amanhã é a tarefa de hoje” (2). Os japoneses foram tão bem sucedidos, Drucker afirma, porque eles são orientados para o longo prazo.

Em busca de uma nova ordem social

Foi a sua vida na América que inclinou o seu interesse para a gestão empresarial. Lá pelo fim dos anos 1930, Drucker começou a procurar por uma nova ordem social e industrial. Ele ficou desencantado com o capitalismo “desenfreado” da Grande Depressão. Mas o socialismo, o fascismo e o comunismo pareciam ainda piores alternativas aos males da sociedade.

Ele finalmente encontrou a sua resposta na única "maneira livre e não-revolucionária" - a grande corporação. Ele estava entusiasmado com sua descoberta: um grande negócio poderia proporcionar uma alternativa muito superior ao socialismo e “grandes governos”. De acordo com Drucker, as grandes corporações deveriam ser os canais pelos quais seriam estabelecidas a estabilidade econômica e a justiça social. Apenas as grandes empresas podiam assumir responsabilidades sociais como a segurança do emprego, treinamento, oportunidades educacionais e outros benefícios sociais. Essa foi uma alternativa absolutamente crítica numa época em que a livre iniciativa estava na defensiva em todo o mundo.

Depois da guerra, Drucker conseguiu um contrato de consultoria com a General Motors, que lhe deu uma oportunidade para desenvolver sua tese mais completamente. Seu estudo exaustivo da GM culminou na publicação em 1946 de Concept of the Corporation (Conceito da Corporação). Drucker chegou a inabalável convicção de que a grande empresa deveria ser a "instituição social representativa" do período pós-guerra e que as grandes empresas americanas, como a GM, deveriam assumir a liderança na construção da sociedade industrial livre.

Os executivos da General Motors ficaram ressentidos com o livro e ridicularizaram a idéia de que uma grande corporação deve assumir responsabilidades sociais. Mas a reputação de Drucker como um perito de administração cresceu, apesar do ombro frio da GM. Por volta de 1950, ele foi professor de administração na Universidade de Nova York, e em 1973, foi nomeado Clarke Professor de Ciências Sociais na Claremont Graduate School, na Califórnia.

Drucker afirma que uma empresa é mais do que uma entidade econômica. “Ainda mais importante do que a economia são as relações psicológicas, humanas e de poder que são efetuadas no trabalho e não fora dele. Essas são as relações entre trabalhadores, grupos de trabalho, tarefas, chefe imediato e de gestão.” (3) Os administradores da empresa têm um propósito moral e de responsabilidade social, além dos lucros de curto prazo. Drucker prevê a grande empresa como a instituição social, muito superior ao governo na provisão da aposentadoria, cuidados de saúde, educação, assistência às crianças e outros benefícios. Ele argumenta que o assistencialismo das empresas deve substituir o assistencialismo do governo. Drucker reconhece que essa atividade social poderia prejudicar o desempenho econômico, mas ele rejeita a exortação de Milton Friedman de que a única responsabilidade legítima da empresa é a de aumentar os seus lucros. Um governo letárgico criou um "vazio de responsabilidade e desempenho" que as grandes empresas precisam preencher.

Uma dimensão moral

As atitudes de Drucker em relação à gestão empresarial e governamental podem não ser de origem econômica, mas religiosa. "O único fundamento da liberdade é o conceito Cristão da natureza humana: imperfeito, fraco, pecador e pó destinado ao pó; mas o homem é imagem de Deus e responsável por suas ações". Ele apela a um retorno aos valores espirituais, "não para compensar o material, mas para torná-lo totalmente produtivo".

Mas até que ponto ele está disposto a levar esta idéia é uma questão aberta. Drucker tem sido criticado como um apologista de grandes empresas. E é verdade que ele tem sido relutante em discutir sobre as grandes empresas como um poder especial de lobby em busca de lucros. Drucker normalmente entende as empresas e o governo como adversários em vez de cooperadores. Em seu enorme volume, Management, seu capítulo sobre "Empresas e Governo" não menciona como uma grande empresa muitas vezes utiliza seus poderes para obter benefícios fiscais, subsídios, monopólio e as restrições à concorrência estrangeira.

Paul Weaver, um antigo executivo da Ford, descreve a extensão do estatismo corporativo como segue: "Desde o início elas [as grandes empresas] tem trabalhado agressivamente e imaginativamente neste sentido, e ao longo dos anos ganharam um deslumbrante conjunto de benefícios - tarifas , subsídios, monopólios oficiais, benefícios fiscais, imunidade contra certas ações prejudiciais, suporte do governo para pesquisas e desenvolvimento, programas gratuitos de formação de funcionários, e assim por diante, através de uma longa lista de indulgências e benefícios do Welfare State". (6) Infelizmente, o mestre é estranhamente silencioso sobre este problema crítico.

Drucker como Economista

Drucker é muito mais do que um consultor e escritor de administração. Ele também é um comentarista sobre política, economia e cultura. Aqui Drucker é mais difícil de categorizar.

Sua visão econômica está freqüentemente em linha com Mises e os Austríacos de hoje; outras vezes não. Ele freqüentemente rejeita noções que os Austríacos consideram essenciais. Ludwig von Mises e ele foram colegas na Universidade de Nova York na década de 1950, mas eles não tiveram muito contato. "Mises me considerava um renegado da verdadeira fé econômica", diz Drucker, e "com boa razão" (7). Drucker ficou desencantado com puro capitalismo laissez faire durante a Grande Depressão. Hoje, ele apóia uma abordagem a hamiltoniana para o governo - pequeno, mas poderoso. Ele acredita num grande presidente e num governo central que desempenham um papel importante na educação, desenvolvimento econômico e bem-estar. Além disso, ele rejeita o padrão-ouro e aprova um banco central.

Ao mesmo tempo, porém, Drucker defende muitas posições que os economistas do mercado livre iriam aplaudir.

A inflação é um "veneno social". O governo ficou maior, não mais forte, e agora só pode fazer efetivamente duas coisas – promover a guerra e inflar a moeda. O estado tornou-se um "monstro inchado". Ele continua: "Na verdade, o governo está doente -- e logo no momento em que precisamos de um governo forte, saudável e vigoroso." (8) Drucker defende a privatização dos serviços públicos como forma de reduzir a burocracia gigantesca. Na verdade, Drucker afirma que ele inventou o termo, denominando-o reprivatização em 1969 no seu livro The Age of Discontinuity. (9) A Previdência Social deve ser gradualmente substituída por planos de pensão privados. O imposto de renda corporativo, diz Drucker, é o "mais estúpido dos impostos" e deve ser abolido (mas substituído por um imposto sobre o valor acrescentado). O gasto com defesa é um "grave dreno" na economia civil, e deve ser cortado drasticamente. Os custos dos serviços públicos "gratuitos" são “inevitavelmente altos.” (10) Ecoando Hayek, Drucker afirma que nenhuma instituição pública pode operar de uma maneira eficiente porque "não é um negócio”.

Drucker é amplamente otimista sobre o futuro. Ele fala com entusiasmo sobre uma crescente economia mundial e o colapso do comunismo. Corporações multinacionais, grandes e pequenas, são muito mais importantes do que a ajuda externa ou interna dos programas de despesas do estado, e irá liderar o caminho para um novo nirvana. Quanto mais as empresas tornarem-se "transnacionais", mais saudável a economia mundial será.

Drucker é encorajado pelos acontecimentos nos países em desenvolvimento, especialmente os esforços no sentido de privatizar, desnacionalizar e abrir as economias nacionais ao capital estrangeiro. A pior mudança que um país em desenvolvimento pode fazer é adotar o marxismo. “O comunismo é mau (evil). Suas forças motrizes são os pecados mortais da inveja e ódio. Seu objetivo é a subjugar todas as metas e todos os valores ao poder; sua essência é a bestialidade; a negação de que o homem é alguma coisa exceto um animal, a negação de todas as éticas, do valor humano, da responsabilidade”. (11) Drucker desmascara o estilo soviético de planificação central, que só produziu o regresso. Ele conclui que as taxas de crescimento econômicas da União Soviética são em grande parte invenções da imaginação burocrática.

A busca pela "Próxima Economia"

Drucker manifesta um desprezo pela profissão dos economistas, que, segundo ele, ainda é em grande parte de natureza Keynesiana. Os economistas estão muito preocupados com a teoria do equilíbrio de uma economia fechada e não no crescimento, inovação e produtividade de uma economia global. Drucker afirma que a economia contemporânea está onde a medicina ou a astronomia estavam no século XVII. "Não há alunos mais lentos do que os economistas. Não há maior obstáculo à aprendizagem do que ser prisioneiro de teorias totalmente inválidas, mas totalmente dogmáticas." (12) Ele culpa o Keynesianismo por uma prejudicial mitologia anti-popança, causando "baixos níveis de poupança em larga escala" entre as nações ocidentais, especialmente os Estados Unidos. Além disso, "Keynes é em grande medida responsável pelo extremo enfoque de curto prazo da política moderna, da economia moderna, e dos negócios modernos ... A economia de curto prazo, inteligente, brilhante – e a política de curto prazo, inteligente, brilhante – abriu falência."

O guru da gestão também está desanimado com as escolas populares de economia atuais, incluindo os monetaristas e a Nova Escola Clássica. Eles também ignoram o empreendedorismo, a incerteza e o desequilíbrio. Drucker apela para que "próxima economia" seja "microeconômica e centrada na oferta", não na procura agregada, e deverá enfatizar a produtividade e formação de capital. (13)

A economia contemporânea Austríaca parece muito com a visão de Drucker sobre a "próxima economia". É de certa forma surpreendente que as obras de Drucker não mencionem o trabalho dos Austríacos de hoje, como Murray Rothbard, Israel Kirzner e Roger Garrison. Quando eu perguntei a sua opinião sobre os Austríacos contemporâneos, ele me disse que não estava familiarizado com suas obras. Ele não tinha ouvido falar da grande obra de Kirzner, Competition and Entrepreneurship (Competição e Empreendedorismo), embora Kirzner e Drucker tenham lecionado na Universidade de Nova York na década de 1960. (14)

O economista favorito de Drucker é Joseph Schumpeter, o economista de Harvard, nascido na Áustria. Num artigo de 1956, Drucker defende a privatização dos serviços públicos como forma de reduzir a burocracia gigantesca. Na verdade, Drucker afirma que ele inventou o termo, chamando-lhe "reprivatização", em 1969.

Em Modern Prophets: Schumpeter or Keynes? (Profetas Modernos: Schumpeter ou Keynes?) ele claramente apóia Schumpeter, predizendo que destes "dois maiores economistas deste século... é Schumpeter que amoldará o pensamento... em teoria econômica e política econômica para o resto deste século, se não para os próximos trinta ou cinqüenta anos" (15) Drucker gosta da ênfase de Schumpeter em desequilíbrio dinâmico e inovação por empresários que praticam a "destruição criativa". Em seu livro de 1985, Innovation and Entrepreneurship (Inovação e Empreendedorismo), ele enfatiza o impacto da mudança tecnológica, a inovação, o inesperado e novos conhecimentos sobre as empresas e a economia mundial.

Mas, evidentemente, Schumpeter foi um “enfante terrible” ("criança terrível") e renegado da escola Austríaca como ela se desenvolveu na linha de Mises e Hayek. Neste sentido, Drucker se encaixa mais no modo Schumpeteriano, embora ele não compartilhasse o pessimismo de Schumpeter acerca do futuro do capitalismo.

No fim das contas, Peter Drucker é ele mesmo.

A mente de Drucker é como um diamante bruto, proporcionando flashs de idéias para todos os lados. Ele é capaz de analisar assuntos complexos de forma que seus leitores e clientes capturem sua visão, vendo a simplicidade essencial por detrás do caos aparente.

Cedo ou tarde, todos os estudantes de administração descobrem Peter Drucker. Agora é a hora para os economistas e cientistas sociais descobrirem ele também.

Originalmente publicado em: http://www.mskousen.com/Books/Articles/austrian.html
Tradução e adaptação: Wellington Moraes.
http://www.endireitar.org/site/endireitar/301-peter-drucker-o-outro-austriaco

Notas:

(1) Tony H. Bonaparte, Peter Drucker: Contributions to Business Enterprise (New
York: NYU Press, 1970), p. 23.

(2) Peter F. Drucker, Preparing Tomorrow's Business Leaders Today (Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall, 1969), p. 290.

(3) Drucker, The Unseen Revolution (New York: Harper 6r Row, 1976), pp. 134-35, 168.

(4) Quoted in John J. Tarrant, Drucker: The Man Who invented the Corporate Society (Boston: Cahners Books, 1976), p. 30.

(5) Drucker, The Landmarks of Tomorrow, p. 264.

(6) Paul H. Weaver, The Suicidal Corporation: How Big Business Fails America (New York: Simon & Schuster, 1988), p. 18.

(7) See Drucker's autobiography, Adventures of a Bystander (New York: Harper k Row, 1979), p. 50. In an interview in 1991, Drucker told me that on the few occasions they met, Mises was always depressed. "He was one of the most miserable men I ever met."

(8) Peter F. Drucker, The Age of Discontinuity (New York: Harper k Row, 1969), p. 212

(9) ibid., p. 234.

(10) Drucker, The New Realities (New York: Harper & Row, 1989), p. 215.

(11) Drucker, The Landmarks of Tomorrow (New York: Harper & Row, 1959), p. 249.

(12) Drucker, The Frontiers of Management (New York: Harper & Row, 1986), p. 13. 13 Drucker, The Unseen Revolution, pp. 114-15.

(13) Drucker, Toward the Next Economics and Other Essays (New York: Harper k Row. 1981), pp.1-21.

(14) Israel M. Kirzner, Competition and Entrepreneurship (University of Chicago Press, 1973).

(15) The Frontiers of Management, p. 104.

sábado, 7 de março de 2009

SORVETE DE BAUNILHA E A GM

Olhem como qualquer reclamação de um cliente pode levar a uma descoberta totalmente inesperada do seu produto. Parece coisa de louco, mas não é.

Esta é a moral de uma história que está circulando de boca em boca entre os principais especialistas norte-americanos em atendimento ao cliente. A história ou 'causo', como está sendo batizada aqui no Brasil, começa quando o gerente da divisão de carros da Pontiac, da GM dos EUA, recebeu uma curiosa carta de reclamação de um cliente.

Eis o que ele escreveu:

'Esta é a segunda vez que mando uma carta para vocês, e não os culpo por não me responder. Eu posso parecer louco, mas o fato é que nós temos uma tradição em nossa família, que é a de comer sorvete depois do jantar. Repetimos este hábito todas às noites, variando apenas o tipo do sorvete, e eu sou o encarregado de ir comprá-lo.

Recentemente comprei um novo Pontiac e, desde então, minhas idas à sorveteria se transformaram num problema. Sempre que eu compro sorvete de baunilha, quando volto da loja para casa, o carro não funciona se compro qualquer outro tipo de sorvete, o carro funciona normalmente. Os senhores devem achar que eu estou realmente louco, mas não importa o quão tola possa parecer minha reclamação. O fato é que estou muito irritado com meu Pontiac'.

A carta gerou tantas piadas do pessoal da GM que o presidente da empresa acabou recebendo uma cópia da reclamação. Ele resolveu levar a sério e mandou um engenheiro conversar com o autor da carta.

O funcionário e o reclamante, um senhor bem-sucedido na vida e dono de vários carros, foram juntos à sorveteria no fatídico Pontiac. O engenheiro sugeriu sabor baunilha para testar a reclamação e o carro efetivamente não funcionou. O funcionário da GM voltou nos dias seguintes, à mesma hora, e fez o mesmo trajeto, e só variou o sabor do sorvete. Mais uma vez, o carro só não pegava na volta, quando o sabor escolhido era baunilha.

O problema acabou virando uma obsessão para o engenheiro, que passou a fazer experiências diárias, anotando todos os detalhes possíveis e, depois de duas semanas, chegou à primeira grande descoberta. Quando escolhia baunilha, o comprador gastava menos tempo, porque este tipo de sorvete estava bem na frente.

Examinando o carro, o engenheiro fez nova descoberta: como o tempo de compra era muito mais reduzido no caso da baunilha, em comparação aos tempo dos outros sabores, o motor não chegava a esfriar.

Com isso, os vapores de combustível não se dissipavam, impedindo que a nova partida fosse instantânea. A partir deste episódio, a Pontiac mudou o sistema de alimentação de combustível e introduziu a alteração em todos os modelos a partir desta linha.

Mais que isso, o autor da reclamação ganhou um carro novo, além da reforma do que não pegava com sorvete de baunilha. A GM distribuiu também um memorando interno, exigindo que seus funcionários levem a sério até as reclamações mais estapafúrdias, 'porque pode ser que uma grande inovação esteja por atrás de um sorvete de baunilha' diz a carta da GM.

Isso serve para as empresas nacionais que não tem o costume de dar atenção a seus clientes, tratando-os até mal. Com certeza esse consumidor americano comprará um outro Pontiac, porque qualidade não está somente na produção, está também no atendimento que dispensamos aos nossos clientes.

'Tempos Loucos, exigem empresas Malucas'
Tom Peters

sábado, 21 de fevereiro de 2009

CALVINO E A EDUCAÇÃO

CALVINO E A EDUCAÇÃO

Verdade e Pluralidade - Introdução

Todos os que chegam à Universidade a cada ano logo se apercebem da pluralidade de entendimentos, concepções e valores que marcam o ambiente universitário. Embora a diversidade esteja presente em sua vida muito antes de se tornar um universitário, é aqui na Academia que o estudante sentirá mais de perto a sua força.

A pluralidade é um dos conceitos ícones da nossa geração, uma das marcas da moderna Universidade. Como tal, requer a nossa atenção, especialmente pelo fato de sermos uma Universidade confessional. Ainda que a pluralidade seja considerada como um dos postulados mais bem estabelecidos da nossa era, é saudável refletirmos sobre sua natureza, efeitos e desafios.

1) Pluralidade na Universidade

Embora o ensino superior exista desde a Antiguidade, a Universidade moderna teve suas origens na Europa do séc. XII, conforme a opinião mais aceita, e deve sua forma atual às universidades de Bolonha, Paris e Oxford, que surgiram durante o século XIII. Apesar de ter sofrido influências e transformações oriundas da Renascença, da Reforma e do Iluminismo, a Universidade permaneceu basicamente a mesma e é uma das instituições mais antigas e estáveis do mundo ocidental.

As universidades medievais surgiram graças a diferentes fatores, como atender à crescente demanda de pessoas em busca de educação, o desejo idealista de obter conhecimento, a resistência ao monopólio do saber pelos mosteiros, a vitalidade das escolas mantidas pelas catedrais e o desejo de reformar o ensino. Todavia, elas tinham um objetivo comum, uma mesma missão, que era a busca do conhecimento unificado que permitisse a compreensão da realidade.

Universitas, na Idade Média, era um termo jurídico que, empregado para as escolas, significava um grupo inteiro de pessoas engajadas em ocupações científicas, isto é, professores e alunos. Só mais tarde o termo viria a significar uma instituição de ensino onde essas atividades ocorriam. Tal designação já aponta para a tarefa que pessoas diferentes tinham em comum: a busca da verdade em meio à pluralidade de compreensões. Esse alvo requeria uma síntese das diferentes visões e compreensões de mundo, um campo integrado que desse sentido aos mais diversos saberes. O princípio subjacente à criação das universidades, portanto, era a procura das verdades universais que pudessem unir as diferentes áreas do conhecimento. Daí o nome “universidade”.

Quando as universidades medievais surgiram, a cosmovisão cristã que dominava a Europa fornecia os pressupostos para essa busca da unidade do conhecimento. Hoje, a visão cristã de mundo é excluída a priori em muitas universidades modernas pelos pressupostos naturalistas, humanísticos e racionalistas que passaram a dominar o ambiente acadêmico depois do Iluminismo. Tais pressupostos não têm conseguido até o presente suprir uma base comum para as diferentes áreas do saber. A fragmentação do conhecimento tem sido um resultado constante na Academia, como se as diferentes disciplinas tratassem com mundos distintos e contraditórios.

Lamentavelmente, hoje, muitas universidades viraram multiversidades ou diversidades, abandonando a busca de um todo coerente, de uma cosmovisão que dê sentido e relacionamento harmônico a todos os campos de conhecimento. Esse fenômeno se verifica primariamente na área das ciências humanas; todavia, nem mesmo a área das exatas lhe é totalmente imune, como testemunham as diversas percepções, por vezes conflitantes entre si, na matemática, física e química.

Conforme Allan Harman escreve:

As universidades em geral não mais possuem um fator integrador. A palavra “universidade” tem a idéia de unidade de conhecimento ou de abordagem. Derivada do latim “universum” refere-se à totalidade ou integração. Claramente o conceito era de que, dentro de uma universidade, havia aderência a uma base comum de conhecimento que interligava o ensino em todas as escolas.
Edgar Morin, intelectual francês contemporâneo, percebe corretamente essa fragmentação do conhecimento e da educação nas diversas obras que tem publicado.

Para ele,

... o sistema educativo fragmenta a realidade, simplifica o complexo, separa o que é inseparável, ignora a multiplicidade e a diversidade... As disciplinas como estão estruturadas só servem para isolar os objetos do seu meio e isolar partes de um todo. Eliminam a desordem e as contradições existentes, para dar uma falsa sensação de arrumação. A educação deveria romper com isso mostrando as correlações entre os saberes, a complexidade da vida e dos problemas que hoje existem.

2) Entendendo a Pluralidade

É evidente que existe uma grande pluralidade ou diversidade no mundo. A criação de Deus é plural, a humanidade feita à imagem dele é plural, as culturas são plurais, as idéias são plurais. Há uma enorme e fascinante diversidade na realidade que nos cerca. Para nós, essa impressionante variedade da existência revela a riqueza, o poder e a criatividade de Deus, conforme a Bíblia registra no Salmo 104.24,

Que variedade, Senhor, nas tuas obras!
Todas com sabedoria as fizeste;
cheia está a terra das tuas riquezas.

Tal entendimento em nada compromete nossa busca na academia por verdades absolutas e universais. As dificuldades surgem quando se confunde pluralidade com relativismo radical e absoluto. Esse último nega os conceitos de unidade, igualdade, harmonia e coerência que existem no mundo, entre idéias, pessoas e culturas. O relativismo total pretende desconstruir o princípio implícito de verdade absoluta, de valores, conceitos e idéias que sejam válidos em qualquer lugar e a qualquer tempo. Nesse sentido, a pluralidade se confunde com o relativismo que domina a mentalidade contemporânea, sendo entendida como a convivência de idéias e concepções contraditórias que devem ser igualmente aceitas, sem o crivo do exame da veracidade e sem que uma prevaleça sobre a outra, visto serem consideradas todas verdadeiras.

Para nós, que somos uma Universidade que se orienta por um conjunto de fundamentos – no caso, a fé cristã reformada –, a pluralidade, entendida como diversidade, é muito bem-vinda. A enorme variedade que caracteriza nosso mundo não anula de forma alguma a existência de verdades gerais e universais. Quando, todavia, a pluralidade é entendida como relativismo total ou sistema de contradições igualmente válidas, precisamos analisar o assunto com mais cuidado.

3) Desafios da Pluralidade

O relativismo absoluto gera diversos problemas de natureza prática, como, por exemplo, a dificuldade de se viver o dia a dia de forma coerente com a crença de que tudo é relativo. Mesmo os relativistas mais radicais são obrigados a capitular diante da inexorável realidade: a vida só pode ser organizada e levada à frente com base em princípios, valores e leis universais que sejam observados e reconhecidos por todos. Concordamos com Edgar Morin quanto à sua percepção da complexidade da vida e da existência . Todavia, entendemos que o reconhecimento de que todas as áreas de atividades e conhecimento são complexamente interligadas reflete um propósito unificado e uma origem única, apontando para o Criador. É evidente que essa interligação das partes com o todo, e vice-versa reforça a possibilidade de se buscar princípios e valores universais que permeiam e regulam o universo de conexões e aderências.

Dificilmente o ser humano consegue conviver em paz com o relativismo absoluto. Existe uma busca interior em cada indivíduo por coerência, síntese e unidade de pensamento, sem o que não se pode encontrar sentido na realidade, um lugar no mundo e nem mesmo saber por onde caminhar. Acreditamos que este ímpeto é decorrente da imagem de Deus no homem, um Deus de ordem, de propósitos, coerente e completo.

Para muitos, o ideal do pluralismo de idéias no ensino significa simplesmente que a Universidade deveria ser o local neutro onde todas as idéias e seus contraditórios tivessem igualdade de expressão, cabendo aos alunos uma escolha, ou não, daquelas que lhe parecerem mais corretas. Todavia, conforme bem escreveu Robert P. Wolff, a neutralidade da Universidade diante dos valores é um mito. É inevitável o posicionamento ideológico diante das questões da vida e do conhecimento. Esse ponto é inclusive reconhecido, ainda que timidamente, pela Lei de Diretrizes e Bases, quando define as universidades confessionais como aquelas que “atendem a orientação confessional e ideologia específicas.”

4) Verdade

As universidades de orientação confessional cristã há muito têm procurado desenvolver um modelo acadêmico em que a busca da verdade seja feita a partir da visão de mundo cristã em constante diálogo com a pluralidade de idéias e com a diversidade de visões e entendimentos. Não é tarefa fácil diante do mundo pluralista em que vivemos, a ponto de que alguns têm defendido que as próprias universidades confessionais desistam desse ideal.

Diante do quadro de fragmentação do saber e do relativismo que domina, em várias instâncias, a mentalidade universitária, afirmamos a existência, a realidade e a importância da verdade, de conceitos que são universalmente válidos em todas as áreas do conhecimento e da vida. Aqui, afirmamos as seguintes “verdades sobre a verdade":

1. A verdade é descoberta e não inventada. Ela existe independentemente do conhecimento que uma pessoa tenha dela. Ela existe fora de nós e não somente dentro de nós.

2. A verdade é transcultural. Se algo é verdadeiro, será verdadeiro em todas as culturas e tempos, ainda que sua expressão possa variar de acordo com o ambiente vivencial das pessoas.

3. A verdade é imutável, embora a nossa crença sobre ela possa mudar. Ela permanece a mesma, o que é relativo é nossa percepção dela.

4. As crenças das pessoas não podem mudar a verdade, por mais honestas e sérias que sejam.

5. A verdade não é afetada pela atitude de quem a professa ou de quem a nega.

Conclusão

Reconhecemos a diversidade e a complexidade das idéias, conceitos, costumes e valores existentes. Questionamos, todavia, que a pluralidade implica na total relativização da verdade. Afirmamos a existência de idéias e valores absolutos, princípios e verdades espirituais, éticas, morais, epistemológicas universais.

Cremos que o Cristianismo bíblico fornece o fundamento para a compreensão da realidade como um todo coerente, sempre levando em conta a fabulosa variedade da existência humana.

Encorajamos os alunos, os professores e o pessoal administrativo do Mackenzie a refletir sobre o fato de que a pluralidade, entendida como saudável diversidade, dentro de referenciais e sem a negação da verdade, enriquece o conhecimento humano e leva à melhor percepção de nós mesmos, de nosso mundo e de nosso Criador.

Rev. Dr. Augustus Nicodemus Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie


FONTE: http://www.mackenzie.br/ano2007000.html

Prof. Luis Cavalcante - http://luis-cavalcante.blogspot.com

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

ÉTICA EMPRESARIAL - O caso Bernard Madoff: mais um golpe na confiança

A confiança vive tempos difíceis. Mercados bem-sucedidos − na verdade, todos os sistemas sociais − requerem de seus participantes que se comportem eticamente. A recente prisão de Bernard Madoff, acusado de fraudar milhares de investidores em US$ 50 bilhões através de um artifício conhecido como esquema Ponzi, não passa de mais um episódio, o mais recente deles, na escalada negativa da confiança em Wall Street. Maurice E. Schweitzer, professor de gestão de operações e de informações, e G. G. Richard Shell, professor de estudos jurídicos e de ética nos negócios, ambos da Wharton, pesquisaram de forma exaustiva o papel da confiança nos mercados. Em entrevista concedida a Knowledge@Wharton, os professores explicam por que até mesmo os investidores mais experientes acreditaram em Bernard Madoff e de que maneira o esquema prejudicou os mercados em geral.

Knowledge@Wharton: Por que até mesmo investidores experientes continuam a ser ludibriados por fraudes como as do esquema Ponzi?

Maurice Schweitzer: O escândalo Madoff é a história de diversos princípios influentes e poderosos em ação ao mesmo tempo. São princípios descritos nos compêndios escolares. Neste caso em particular, quatro deles se destacam em relação aos demais. Em primeiro lugar, temos o princípio da escassez: os investidores foram informados de que o fundo estava fechado, mas talvez fosse possível admiti-los. Era um fundo exclusivo, e houve clientes que foram expulsos porque fizeram perguntas demais. O segundo princípio é o da autoridade. Madoff, em 1990, era presidente da Nasdaq. Ele foi pioneiro no segmento de transações eletrônicas. Foi membro do conselho de administração. Tinha aquele ar de autoridade. Sabemos pelas experiências de Milgram, e por outros estudos, que as figuras de autoridade exercem uma influência profunda sobre nós. O terceiro princípio é o da adesão social. Todos estão fazendo a mesma coisa: instituições como a Autoridade de Investimentos de Abu Dhabi, a Line Capital de Cingapura e gente como Steven Spielberg e o dono dos Mets de Nova York. Basta olhar em volta para ver que todos estão fazendo o mesmo. Portanto, parece que é a coisa certa a fazer. Em quarto lugar aparece o princípio da identidade. Somos influenciados por pessoas parecidas conosco. No caso em questão, as pessoas vieram de redes sociais, de clubes de campo, de eventos promovidos por instituições de caridade. Foram coisas desse tipo que as atraíram. Portanto, temos a articulação simultânea desses quatro princípios clássicos de influência. Por outro lado, existe também o raciocínio motivado. Os investidores estão dispostos a acreditar que terão ganhos baseados em juros constantes de 10%, 11%, e por isso se dispõem a deixar de lado todo e qualquer julgamento crítico. Creio que erramos ao não nos dar conta da força de todos esses princípios sempre que atuam juntos.

Knowledge@Wharton: Se as alegações contra Madoff forem verdadeiras, isto quer dizer que seu esquema durou mais do que a maior parte dos esquemas Ponzi. Como foi que ele conseguiu isso?

G. Richard Shell: Houve uma falha de regulação. É disso que o Congresso parece estar tratando agora. O esquema chamou a atenção pelo fato de que o fraudador ludibriou os órgãos reguladores, bem como os investidores. O que Maurice disse a respeito da autoridade que Madoff tinha explica, em parte, como a fraude foi possível, já que ele era um insider. Quem foi presidente da Nasdaq pode ser considerado íntimo dos órgãos reguladores. Fica mais difícil descobrir o que se passa quando não há sinal externo algum de fraude. Com isso, o engodo prosperou, e com o passar dos anos, tornou-se cada vez mais convincente. Olhando agora em retrospectiva, parece fácil identificá-lo: era uma espécie de uma fórmula secreta que ele não a revelou a ninguém. Muita gente decidiu não participar do negócio, porque não havia como vislumbrar, por trás do véu que encobria o esquema, de onde vinha o dinheiro. Hoje essas pessoas parecem muito inteligentes, mas diante das perspectivas de então, quem deixasse passar uma oportunidade dessas seria considerado tolo. Era como se agissem com cautela exagerada. Investidores sempre em busca de novos negócios se deixaram seduzir. Portanto, creio que a vida mais longa dessa fraude se deve ao fato de que ela foi capaz de ludibriar o sistema regulatório e, ao mesmo tempo, os investidores. Trata-se de uma dupla praga difícil de extirpar com prazo certo e em numerosos mercados diferentes.

Knowledge@Wharton: Será que as atividades de Madoff não foram também ajudadas pelo desempenho do mercado na época?

Shell: Sim, em vários momentos diferentes, já que os mercados subiam e desciam. Ele sobreviveu ao estouro da bolha de tecnologia. Coisas que agora nos parecem tão óbvias − ele dizia a seus clientes que havia negociado para cada um deles um número determinado de opções que, na verdade, era superior ao volume negociado durante todo aquele dia. Agora, parece óbvio. No entanto, as pessoas não comentavam essas operações umas com as outras. E como disse o Maurice, às vezes essa vontade de acreditar é muito forte. As pessoas preferem não acreditar em indícios que contrariem sua crença. Isso exigiria que elas se desfizessem de uma porção de pressupostos sobre a vida, sobre as pessoas com quem mantêm contato. O preço emocional e cognitivo a pagar é alto demais. O que elas fazem então quando são informadas? Pegam o relatório, enfiam na gaveta e se esquecem dele.

Knowledge@Wharton: Haveria meios de os investidores vencerem esse instinto? A que, especificamente, as pessoas deveriam recorrer para se proteger contra esse tipo de calamidade?

Schweitzer: Existem alguns princípios clássicos nesse caso. Um deles é o princípio básico da diversificação. Alguns investidores, evidentemente, se esqueceram disso no momento em que aplicaram tudo o que possuíam num lugar só. Não há dúvida de que temos de diversificar nosso portfólio. O segundo princípio, já referido por Richard, é o da supervisão. Nesse sentido, o exemplo é o do gestor de investimentos da GMAC, que cobrava taxas de quem queria investir com Madoff sem supervisão. O terceiro princípio adverte para a necessidade de se observarem os sinais de alerta. Às vezes, retornos bons demais para ser verdade, de fato, não são . Richard mencionou a falta de transparência. Concordo inteiramente. Falta também auditoria independente, que é extremamente importante. É fácil deixar tudo isso passar batido, se deixar levar pela multidão e por tudo o mais. No entanto, esses são princípios básicos que deveríamos seguir.

Shell: Nenhum golpe ou esquema Ponzi seria possível se não houvesse ganância. Benjamin Franklin, o fundador de nossa grande universidade, quando regressava aos EUA para fixar residência aqui na Filadélfia e fazer todas aquelas coisas fantásticas que fez, redigiu a bordo do navio que o trazia quatro princípios que deveriam nortear sua vida. Um deles era o seguinte: “Não se envolva com nenhum esquema que acene com enriquecimento rápido.” Isso foi em 1760. Creio que é isso o que acontece quando surge esse impulso de ser mais bem-sucedido do que o mercado, e de uma forma tal que seus problemas financeiros sejam resolvidos, quer de uma vez só, conforme propõe o esquema Ponzi, com 100% de retorno, quer a longo prazo. Esse processo, porém, não está de acordo com o funcionamento real do mercado, e era isso o que Madoff propunha. Portanto, devemos estar atentos a esse impulso. As pessoas habituam-se à ideia do risco, mas habituam-se também ao fato de que o trabalho, provavelmente, gera riqueza com mais frequência do que os investimentos financeiros.

Knowledge@Wharton: Contudo, tudo isso traz embutido a percepção de confiança. O investimento mais transparente ainda requer que o investidor tenha um certo grau de confiança com quem quer que esteja negociando. Os mercados serão afetados por causa disso?

Shell: Creio que sim.

Schweitzer: Sem dúvida. Há um nexo causal aí: outros investidores não vão ter a mesma confiança de antes em gestores de fundos de hedge e de investimentos honestos e verdadeiros. Haverá falta de liquidez, o que será prejudicial aos mercados.

Shell: A verdadeira tragédia do caso Madoff é que há um conjunto de intermediários que, até onde sabemos, fornecia assessoria financeira honestamente, mas que pegou o dinheiro dos investimentos confiados a eles certos de que teriam utilização diversificada e o aplicaram em operações comandadas por Madoff. Existem agora dois níveis de desconfiança. Um deles diz respeito ao modelo de fundo de hedge que era administrado por Madoff. Acho que todo o mundo, de modo geral, é um pouco cético em relação aos fundos de hedge devido à configuração atual do mercado. Contudo, a coisa mais difícil de imaginar é de que forma vamos superá-lo. Os profissionais da Tremont Capital [e outros] são pessoas que, sob todos os aspectos, administram de forma íntegra o dinheiro que lhes foi confiado. As pessoas confiaram a eles, de boa fé, o seu dinheiro e em seguida, sem que ninguém lhes dissesse coisa alguma, esse dinheiro foi aplicado num esquema Ponzi. Portanto, como podemos saber em que consultor financeiro confiar daqui para frente? Do ponto de vista do cidadão comum, nem mesmo marcas importantes e respeitáveis foram poupadas. Por isso, acho que o investidor médio não acredita mais hoje que sempre receberá de volta o dinheiro que aplicou.

Knowledge@Wharton: Como você disse anteriormente, as formas de ganhar dinheiro quase sempre estão associadas ao trabalho. Portanto, o indivíduo está disposto a confiar, mas é sempre bom checar o tipo de investimento a ser feito. É preciso, então, estar atento à evolução do investimento e conferir em mãos a documentação, que é mais do que o mero preenchimento de formulários.

Shell: Bem, acho que podemos aprender alguma coisa com aquelas pessoas que não investiram no esquema de Madoff. Ben Stein disse em uma de suas colunas do New York Times faz algumas semanas que havia sido convidado a investir com Madoff. Acho que ele chegou a avançar bastante no processo. A oportunidade surgiu há 20 anos, mas como ele é um sujeito inteligente, decidiu apresentá-la a dois consultores experientes e perguntou a eles se devia fazer o investimento. Os consultores analisaram a proposta, e como não tinham interesse pessoal no assunto − não eram consultores financeiros, e sim pessoas comuns a quem haviam feito uma consulta −, disseram que o negócio parecia bom demais para ser verdade. Não dava para imaginar como era possível o negócio funcionar do jeito que diziam que ele funcionaria, por isso o aconselharam a manter distância desse tipo de investimento. E foi o que ele fez. Acho que temos aí um bom modelo. Deve-se buscar orientação financeira, mas não de partes que tenham interesse no negócio. Não se deve confiar exclusivamente no consultor. É preciso consultar outras fontes, da mesma forma que fazemos quando temos um problema médico. Com isso, as chances de alguém cair numa armadilha dessas diminuem, já que a pessoa não está preocupada apenas em diversificar a aplicação dos seus ativos, mas também em se aconselhar com outras fontes.

Schweitzer: Creio que uma das dificuldades de longo prazo desse processo é, sem dúvida, a necessidade de supervisão e de mais de uma opinião. É um custo para o sistema, um problema, porém necessário. A confiança é como óleo lubrificante: facilita as transações, torna-as mais rápidas e mais baratas. Ela alimenta a economia, o que nos permite fazer negócios. Acontece que perdemos parte dessa confiança. Os custos agora vão aumentar. Há mais fricção, já que temos de investigar mais detalhadamente as operações realizadas. No entanto, considero tudo isso necessário. É evidente que se trata de coisas que deveriam ter sido feitas antes. Talvez a boa notícia é que os princípios básicos da supervisão e da diversificação serão retomados.

Knowledge@Wharton: Mesmo antes desse episódio, na questão do subprime, o impacto sobre a confiança foi grande.

Shell: Sim. O capital de confiança queimado nos últimos três meses foi enorme [...] e não só nos EUA, mas em todo o modelo capitalista ocidental. Não é de surpreender que, em última análise, a ironia disso tudo é que um governo republicano nos EUA tenha sido o catalisador da europeização dos mercados financeiros americanos. Isso não vai mudar. Vivemos agora uma situação de Europa no que diz respeito aos mercados financeiros. Não há mais bancos de investimentos. O modelo agora é totalmente diferente. Acabou o descontrole, mas permanecem as sequelas. Vai demorar um pouco até que as pessoas se disponham a correr riscos novamente. Mas, como diz o Maurice, nenhum sistema social pode funcionar sem confiança. Por isso, de algum modo, vamos ter de continuar a confiar uns nos outros. Será interessante observar que instituições surgirão e que nos permitirão recuperar a confiança perdida. Creio que as agências de risco vão mudar. A forma como as ações e os investimentos são avaliados também vai mudar. Os níveis de transparência mudarão. O indivíduo médio que tem dinheiro para investir terá de ser mais vigilante e mais preocupado com seus interesses.

Knowledge@Wharton: Obrigado aos dois pela entrevista.
Fonte: http://wharton.universia.net/index.cfm?fa=viewArticle&id=1644&language=portuguese - Publicado em: 21/01/2009