segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Empreendedor é fruto da genética ou precisa de formação?

por Flávio Roberto Evangelista De Andrade

Para saber um pouco mais sobre o termo empreendedor deve-se observar certas palavras e seus respectivos significados importantes para obter uma melhor compreensão do assunto.

A palavra Empreender, na língua portuguesa é verbo transitivo direto e significa, segundo o Minidicionário Aurélio, pôr algo em execução, e a palavra empreendimento, um ato de empreender ou que se empreendeu.

Há algum tempo atrás, mais precisamente no século XVII, o termo empreendedor designava o indivíduo que faz algo novo ou que executa ações extremamente importantes e que, de certo modo, modifica a economia ou os negócios.

É na economia francesa, há quatro séculos atrás, que o empreendedorismo ganha força e se torna um assunto mais pesquisado e estudado, inicialmente por pesquisadores economistas, como é o caso de Jean Baptiste Say e Joseph Shumpter. O primeiro pesquisador, criador do termo empreendedor, baseou-se nas ações que o indivíduo realiza para então formular o conceito. O empreendedor para Say seria aquele que consegue mover recursos econômicos de uma área para outra, equilibrando e potencializando as áreas por ele trabalhadas. Say ficou famoso por já no século XIX empregar ao termo empreendedor o sentido daquele indivíduo que gera valor para ele e para a própria sociedade. O segundo pesquisador, já no século seguinte, apresenta a idéia do empreendedor como inovador, aquele que transforma o capitalismo, desenvolvendo ações de ordem criativa ou até mesmo destrutiva, reformulando, revolucionando o modelo de produção da época. Shumpter acreditava que o empreendedor não seria realmente empreendedor se não inovasse nada.

Pesquisas mais recentes realizadas por autores consagrados como Peter Drucker, famoso por escrever vários livros sobre gestão, revelam que o empreendedor precisa não parar nunca, deve também não somente abrir negócios, o que ele considera não ser a essência do empreendedorismo, mas agir aproveitando as oportunidades que vão surgindo pela frente, sem deixar de lado as idéias inovadoras que vão emergindo associadas ao próprio processo de empreender.

De fato, através de pesquisas mais atuais, observa-se que ninguém nasce empreendedor nato. É desenvolvendo algumas habilidades e características da personalidade e até dos próprios talentos, que a pessoa se mostra empreendedor. Logo, alguns desses fatores vão se modificando, sendo melhorados ou não, quando do contato com a família, a escola, o trabalho etc.

Então, ser empreendedor não é resultado exclusivo da genética, mas também de um tripé que forma a base para sê-lo: trabalho, talento e reserva econômica. O empreendedor necessita ser aquela pessoa que gosta do trabalho, se satisfaz com ele e está sempre envolvido em ações construtivas, que o levam a alcançar resultados extremamente positivos. Percebe-se que existe empreendedores nas mais diversas áreas do conhecimento: Administração, Economia, Medicina, Artes etc., entretanto, sem talento, o empreendedor não vai muito longe e não consegue realizar suas ações com o sucesso esperado.

Talento é um dom natural adquirido, é sua inteligência dita excepcional que revela a pessoa como indivíduo grandioso, criador e agregador de valores. Decerto, como pesquisador do tema há vários anos, entendo que, os dois fatores há pouco citados são essenciais para formar um empreendedor, não obstante, este ainda necessite do último fator: reserva econômica. Reserva econômica me refiro aqui ao capital. É o capital elemento necessário pra que o empreendedor possa desenvolver plenamente suas idéias e consequentemente seus empreendimentos.

O capital é o fator responsável por estimular a concretização das idéias incubadas e depois de um tempo implementadas. É o capital, ou melhor dizendo, o capital adequado que será, por si só, a mola impulsionadora para a concretização da própria inovação.

O indivíduo empreendedor necessita também de uma formação específica voltada para o empreendedorismo, pois se por exemplo desejar colocar no mercado uma empresa, deverá ter noções mínimas de implantação e implementação de um plano de negócios.

Fontes atuais encontradas com pesquisas realizadas pelo SEBRAE têm demonstrado que nos últimos 5 anos mais da metade das empresas iniciadas não conseguem sobreviver ao final do seu primeiro ano de vida. Uma das explicações mais coerentes é que a maioria dos empresários e empreendedores, não têm a formação necessária e/ou desconhecem o plano de negócios como instrumento insigne para a realização dos objetivos e fortalecimento das suas empresas num mercado tão competitivo.

Em suma, só para lembrar: para ser empreendedor deve-se nascer com iniciativa e coragem para ousar. O medo faz com que não consigamos a realização do sonho tão comentado pelo autor Fernando Dolabela, uma das autoridades sobre o assunto. Não obstante, o empreendedor que não corre ricos calculados, que não possui liderança, ou que não é otimista ou motivado para agir dificilmente obterá sucesso em seus empreendimentos ou em qualquer coisa que faça.

Fonte: http://www.gestopole.com.br/article.php?article_id=1170